Vivemos uma era de muitas novidades e de novas demandas. A cada dia surgem novas tendências e somos em muito influenciados por celebridades, e não mais por pensadores, como nos últimos séculos. Esse momento esquisito que estamos vivendo é, no meu entendimento, um colapso emocional e afetivo.
Quanto mais carente alguém está, mais seus comportamentos emocionais e afetivos se transformam. Esta é uma das respostas para o Facebook ser uma ferramenta tão importante e tão visitada por todos nós. Ali é um lugar onde nossas afetividades são um pouco atingidas, onde podemos flertar com o perfeito que tanto queremos, mas que não vivemos. É onde minhas relações se tornam lindas, onde minhas viagens são inesquecíveis, onde meus filhos são comportados.
Por isso, estamos ficando cada dia mais esquisitos. Nossas carências estão maiores, as demandas estão crescendo e nossos afetos, nossos abraços, nossas verdades diminuindo. O Facebook não dá conta de saciar toda nossa ânsia, porque a virtualidade impossibilita tocarmos na realidade.
Qual é a grande consequência desta visão de mundo e desta realidade que vivemos? O sexo se torna a grande solução dos nossos problemas. A matemática mais básica que descobri ao longo do meu casamento é que quanto menos afetividade e conexão eu e minha esposa tínhamos, mais necessidades fisiológicas e animais surgiam. Quanto mais necessidades, mais demandas, e quanto mais demandas mais esquisitices. Basta você perceber que a cada dia surgem novas opções, tendências, modas, artefatos, objetos para que o sexo seja sexo.
O ser humano sem afeto é insaciável. O ser humano sem amor e sem conexão emocional se torna cada dia mais frio a tudo e assim se faz necessário inventar e reinventar artimanhas sexuais no desespero de alcançar um orgasmo para aplacar o vazio existencial.
Com afeto, com amor, com graça, o sexo se torna uma consequência gostosa de um momento que emocionalmente preenche e sacia. Sem maluquices, sem sandices, sem loucuras, nem tampouco praias paradisíacas. É legal inovar? Claro! No entanto, nada pode substituir a conexão emocional e o afeto. Nada pode suprir, nem mesmo o sexo, nem mesmo o orgasmo, nem mesmo qualquer coisa deste mundo. Estamos vivendo um tempo onde o sexo é protagonista, é o personagem principal das relações. O sexo é o deus de nossa era, e isso somente tem uma explicação: nossa incapacidade emocional e afetiva. É muito mais difícil se conectar com os sonhos e com as emoções de alguém do que passar uma noite no motel. Dá muito mais trabalho negar a si mesmo do que ver filmes pornôs. O fato é não investimos em nossas relações porque o casamento é a única instituição humana que acreditamos que deve trazer felicidade sem esforço e trabalho. Que vai nos dar prazer, contentamento e alegria apenas com nossa presença e não com nosso investimento.
Eu e minha esposa vivemos crises profundas, as piores depois que nosso filho nasceu. Entramos em parafuso. Perdemos a amizade. Tornamo-nos estranhos. Alcançamos o fundo do poço. No entanto, decidimos investir, trabalhar, colocar a mão na massa. Redescobrimos que é massa bater um papo, fazer algo em comum, tomar uma cerveja sem compromisso, colocar o filho para dormir e assistir um seriado. Como é massa planejar a vida, pensar numa solução, e até mesmo fazer piada de alguém. É legal compartilhar a vida, perder o sono conversando sobre o comportamento do filho. É muito interessante perceber que o outro está entendendo o que você está dizendo e para aonde está indo. Esta conexão nos permite perceber quando o parceiro não está mais curtindo e chegou a hora de ir embora, ou então quando ele tá curtindo demais e dá pra ficar mais um pouco. Desta forma seguimos brigando, discutindo, discordando, no entanto, conectados.
Seguimos defeituosos, diferentes, mas sinto que somos amigos novamente.
Talvez, aqui esteja o que existe de mais importante numa relação, em um casamento: a amizade. As vezes, estamos casados, mas não somos amigos, ou pelo menos não nos comportamos como tal. Quanto mais amigo, menos bicho. Quanto menos bicho mais humano e quando mais humano mais inteligente. E é com esta inteligência que podemos trabalhar, investir e buscar dias melhores. A solução do meu casamento não é a mudança da minha esposa, mas a transformação que assumo em minha própria existência.
Assim, o sexo ocupa com importância o espaço que deve ocupar, e confesso que desta forma somos mais felizes, mais plenos e mais confiantes. O que torna o sexo por si só cada dia mais gostoso.
Todos nós vivemos crises, no entanto, nem todos desejam soluções. Quem é você?
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